quarta-feira, maio 21

Poeminha pro santo.

Amarrei no pulso fita do Senhor do Bonfim
Pra te desejar três vezes pra mim.
Em qual delas você vem?

Como um soco no estômago.

Hoje quando saía da padaria carregando o saco de oito pães de cada dia me permiti olhar além do que meus olhos estão acostumados a ver. Eles pararam, e não poderia ser diferente, em uma senhora muita velha ou talvez tenha sido apenas o tempo a vida cruel que lhe deixaram aquelas marcas, muito magra e muito negra, deitada contra o muro sujo do prédio logo ao lado. Contra seu corpo havia um cobertor de lã de aparência pesada e áspera que ela agarrava como fosse um escudo contra o frio e o mundo. Meus olhos, mal acostumados a olhar a miséria que me rodeia todos os dias, primeiro focaram no vermelho daquele escudo. Era vivo como sangue que sai de um corte novo. A lã viva contra o corpo magro rodeado por sacolinhas de plásticos cortou meu coração em pedacinhos e eu não consegui desgrudar meus olhos dela. Eram olhos mornos, escuros e desacreditados. Ela se permitiu me olhar também, mas o que pensou da menina bem agasalhada arrastando os tênis surrados no chão e levando uma sacola de pães eu nunca saberei. Eram olhos desconfiados que não permitiam a qualquer pessoa saber o que se passava por trás, evidente estava apenas a miséria. Ofereci um pão com a voz esganiçada pela vergonha de reclamar de tudo enquanto ela deveria passar todos os dias por ali, mas invisível. Ela aceitou cordialmente com a cabeça enquanto eu retirava dois e lhe passava. “Pra mais tarde” eu disse oferecendo dessa vez um sorriso. “Pra mais tarde não moça, a gente não sabe quando tem mais tarde. ” Desta vez quem me deu um sorriso foi ela, sorriso despedaçado e frio mas ainda assim um sorriso. Eu não soube mais o que dizer então me levantei, acenei um até logo e continuei a andar. Ela ainda gritou um fique com Deus que eu ignorei enquanto pedia a Deus que ficasse com ela.

sexta-feira, maio 9

Tempestade em copo d'água fria.

- Há um tornado vindo aí.

Havia riso na voz de Joe, o pavor estava concentrado todo dentro dos olhos amarelados pela doença. Olhava para o céu como se o dito tornado fosse se formar em cima da sua cabeça.

Mary não conseguia mais olhar o céu. Da última vez que olhara estava roxo e lívido de fúria. As grandes e gordas nuvens cor de chumbo agitavam-se numa dança mortal que parecia não querer deixar sobreviventes.  Fazia cinco minutos que ela havia tapado os olhos azuis com as mãos sujas de terra enquanto o vento assobiava em seus ouvidos, uivando a dor que a terra sentiria.

- Hey, pequena, levanta! Abre esses olhinhos abre, a gente precisa sair daqui. Abre.

As mãos de Joe seguravam as suas próprias, mãos ásperas e grandes que primeiro foram suaves e depois mostraram sua força. Ele a machucava enquanto os dois lutavam na escuridão dos olhos dela, fechados, cerrados, medrosos. Ele havia conseguido lhe tirar as mãos do rosto, mas não a faria enxergar.

- Levanta, menina, levanta. E olha pra mim, olha pra mim, Mary! Não olha o céu, olha pra mim.

Ele a sacudia enquanto falava, as mãos se apertando em volta dos braços finos e criando marcas que demorariam a sair. Mary sentia as lágrimas quentes começarem a descer pelo rosto, foi quando Joe a abraçou com a mesma força que a balançava e de repente a dor era menor que o sofrimento.

- Olha pra mim, Mary, olha pra mim por favor. A gente precisa sair daqui, entende? Precisa.

Então ela olhou e no lugar do céu perturbador havia apenas o rosto velho e cansado de Joe. Haviam as rugas e barba acinzentada, a cicatriz que cortava a sobrancelha esquerda e a boca fina. E havia os olhos amarelos pela doença tão cheios de lágrimas quanto os seus pequeninos azuis.

Levantaram-se os dois do lamaçal que se transformava o jardim dos fundos do casebre velho. Levantaram e correram contra o vento, contra a morte. E contra o medo.


O sol ardia sobre a pele nua das crianças que corriam soltando gritos de felicidade em direção ao mar.
Era um agosto sufocante em que o ar demorava demais pra chegar aos pulmões e entrava ardendo pelas narinas machucadas pela seca. Mas eles eram só crianças, não se lembravam que quando a noite chegasse iam chorar enquanto as mães gritariam lembrando de terem falado pra não pegar o sol do meio dia enquanto espalhavam loção na pele machucada e vermelha. Não lembravam que a haveria noite, que existia momento depois dali, do mar, do gosto de sal e do sol acima deles.

-A gente vai entrar mas até onde der pé, tá? E se vir uma onda muito grande a gente segura um no outro! – Camila falava rindo enquanto as espumas acariciavam suas pernas magras e os dedos se perdiam dentro da areia.
-Tá! Você já disse, vem logo!

Ele já havia ido na frente, a água batendo na cintura e deixando-o mais alto a cada onda. E continuou indo enquanto ela gritava e ria por trás dele e indo até quando não sentiu mais o chão.

...

- Juntos?
- Juntos.
- No três?
- Aham. – ele riu, ela também e uma covinha se formou na bochecha. Havia algo de nervoso na respiração descompassada dele e nas rugas que se formavam na testa dela.
- E se der problema?
- Deu.
Riram de novo.
- No Três? – ele assentiu com a cabeça e ela riu de novo.
- Vai. Um, dois...
E ele já tinha virado o copo.

...

- Lembra da época em que a gente não precisava de remédio?
-Lembra da época em que você não precisava de antidepressivo?
- Ansiolíticos, reguladores de humor.
-Terapia!
-Micro-fisioterapia.
-Yoga!
-Meditação.
- Viagem astral...
-Lembra da época em que a viagem era outra?
Ele apertou ainda mais a mão na dela, entrelaçando os dedos e dividindo um pouco mais da vida, os dois olhando para o céu contemplando o brilho de estrelas mortas.
- Era melhor, não era?
- Era.
Os olhos se encontraram.
- E era pior também.
As bocas se encontraram.
- Era. Bem pior.
- Eu olho pra você e vejo um pouquinho de mim.
- Eu também.
- Você é um cara bacana, sabia?
Ele riu o riso mais sério que ela já tinha escutado.
-Você não sabe do que tá falando, você não me conhece.
Os olhos se encontraram.
- Eu olho pra você e me sinto em casa. Eu olho pra você e é bom. Olho e não tenho ressaca, não preocupo minha mãe...
Silêncio.
- É bom.
- Me dá um abraço?
- Dou até três.

As almas se encontraram.

quarta-feira, janeiro 1

Conto do avô

O corredor estava cheio de pernas, gritos e do barulho irritante dos tênis de borracha contra os azulejos bem encerados. A algazarra de meus primos mais novos era tão infernal quanto a de qualquer grupo de meninos de sete e nove anos de idade pode ser, e foi interrompida a empurrões quando a mais gorda de minhas tias com cabelo recém tingidos de loiro amarelo em busca de jovialidade subiu as escadas gritando mais alto que a molecada para irem pro quintal porque o avô precisava de sossego.

O avô, que também era o meu, gritava do quarto sem ser ouvido, o esforço da garganta envelhecida não conseguindo alcançar as notas graves de um tempo passado. Observei da porta enquanto ele resmungava com os punhos semirrígidos para as paredes que o ignoravam tão solenemente quanto minha família. Ele logo se cansou, mas não antes de focar os olhos fatigados por um corolário de doenças em mim.

“Quem é que está aí”?

A desconfiança na voz que sibilava ao buscar por força era maior que a curiosidade. Esperei pacientemente que ele pegasse os óculos no criado ao lado da cama e os colocasse de melhor maneira sobre o nariz afilado antes de saciar os pensamentos do velho. Estreitava os olhos pequenos e lambia os lábios finos que ficavam lubrificados de saliva, mas ainda assim pareceu não me reconhecer.

“Sou eu, vô, João Carlos, sua benção.”

Meu nome não pareceu satisfazer sua curiosidade, continuava a me olhar de lado, estreitando a vista e enfiando os dedos por debaixo das lentes grossas para coçar os olhos miúdos.

“João Carlos é? João Carlos... De Mária Eulália ou de Emília?”

“Emília, vovô.”

“Hum.” Os braços finos e manchados fizeram força para erguer o corpo frágil e quando fiz menção de me aproximar para ajuda-lo, recusou com um aceno. “Sabia que era o de Emília, o outro foi morar a muitos anos em São Paulo e Lalinha ainda espera que volte. É uma tola, cheia de esperanças que só as mães têm, depois que a gente coloca filho no mundo não consegue mais controlar a cabeça deles, sabia? Aposto que não sabia. Chegue mais João Carlos, não consigo te ver daí.”

Quando eu era pequeno, o quarto do meu avô era um local sagrado em que ninguém entrava. Ficava da porta com dois primos apostando quem se encorajava a dar passos para dentro daquele grande santuário. Uma vez meu primo Rodrigo chegou até a cama e passou os dedos de leve por sobre a colcha e dali em diante se tornara nosso herói.

Havia imagens de santos por todos os lados e nossas senhoras para todos os gostos e desejos que olhavam sempre com um semblante mais triste do que terno. Uma vez perguntei minha vó Maria porque a mãe de Jesus parecia tão triste e ela disse que a culpa era toda nossa e que devíamos pagar por existir. Ela possuía a mesma expressão triste.

O avô de minhas lembranças era alto e sisudo, de constituição forte apesar de magro, sempre com os cabelos negros e fartos penteados disciplinadamente de lado e barba feita. Era um homem bonito e elegante e eu sempre estufava um pouco o peitoral quando alguma de minhas tias falava que me parecia cada vez mais com ele. Ver o herói de minha infância tão mirrado e fraco na cama imensa daquele quarto velado por Deus embrulhou meu estômago e o medo do destino que me espera ser semelhante àquele correu queimando por minhas veias.

Postei-me de modo que a luz fraca que lutava para entrar por uma fresta da cortina incidisse sobre mim e sorri. Tentei parecer mais alto e mais forte. Tentei naqueles poucos minutos ser mais homem do que fui por toda minha vida.

“Cristo. É como ver um fantasma, não é mesmo, João Carlos?”

A expressão dele enquanto me examinava era carrancuda, mas o sorriso que aparecia no canto da boca murcha talvez denunciasse que estava feliz com o que via, já o meu havia congelado na boca. Para mim aquilo tudo era como ver o futuro.

“Sabe, se sua avó ainda estivesse aqui ficaria louca com você. Ela gostava muito de fantasmas.”

Aproximei-me da cama e pela primeira vez ousei encostar à cama de meus avós. Ainda era bonita. De jacarandá e formas masculinas, combinava com a figura a quem pertencia. Meu avô sempre fora aventureiro e boêmio, soube disso depois de velho, mas em minha imaginação de criança era sempre um general.
“Vovó estava doente, vovô, é diferente de fantasmas.”

Ofereci um sorriso e ele me respondeu com um escarro em um lenço de seda que estava ao seu lado.
“Gostava de fantasmas isso sim. Dizia estar desesperada, e chorava com suas tias e chorava comigo e rezava na igreja como uma Madalena arrependida. Falava “oh, Geraldo, e se um dia não reconhecê-lo mais?” A miserável partiu meu coração. Então um dia a peguei de joelhos, apesar de praguejar contra a artrite, agradecendo a Jesus por esquecer de estar velha. Ela preferia os fantasmas”

Havia amargura em sua voz e também em seus olhos quando os confrontou com os meus. A figura distante e idealizada também sofria e constatar que meu avô também tinha sentimentos chocou-me mais do que a visão de seu definhamento.

Em criança andávamos juntos a cavalo, ele sempre fumando um cigarro, ia a frente abrindo as porteiras sem falar palavra. Eu e as meninas íamos ao meio, acompanhava-o com admiração entre os risinhos incontroláveis das moças e as reclamações pelo longo tempo em cima da sela. Guilherme, meu primo mais velho fechava o cortejo e quando parávamos para descansar ia ter com meu avô, com quem tinha conversas curtas de mais falar do que ouvir. Despertava inveja em todos nós.

“Não acho que seja isso, vô, era a doença falando. Vovó amava viver e ainda mais o senhor.”

Não tinha certeza se alguma vez minha avó amou meu avô de fato. A verdade é que a casa sempre cochichava que ela nunca o perdoou por tê-la deixado sozinha com cinco filhos pequenos para tentar a vida no Pará. Disse que voltaria rico,  que o ouro estava lá. Voltou trinta quilos mais magro e só com a roupa do corpo em farrapos, deu-lhe surra quando ela levantou a voz para ele e depois dormiu por dois dias. Nunca mais falaram disso.

“Tia Marília pediu que examinasse o senhor. A tosse está deixando todo mundo preocupado.”

O riso de meu avô parecia mais um chiado e o corpo todo se contorcia a cada tentativa de gargalhada.
“A tosse é? A tosse é tão companheira quanto qualquer um dessa casa, João Carlos. Falaram o mesmo do intestino e da bexiga e eu não morri. Toda vez que fica mais forte, Marília sobe as escadas correndo e entra pela porta arfando como uma porca e fazendo barulho suficiente pra ressuscitar um morto a três dias. E sua avó reclamava sempre do ganho de peso dela. Eu acho que ter uma filha gorda tem suas vantagens. Ela assusta a morte.

“Ora, avô, deixe disso! Todos só querem seu bem! Dar uma olhada mal não vai fazer! Não é só tia Marília que se preocupa.”

O velho Geraldo se recostou nos travesseiros de lençóis alvos, retirou os óculos e cruzou as mãos. Não havia graça em seus olhos e aquele pequeno momento de compatibilidade de repente pareceu tão efêmero quanto meus sonhos de crianças.

“Dê lembranças a sua mãe. Fale que logo não vou estar mais aqui então ela poderá vir pra casa. Quando sair, por favor, feche a porta Eduardo, o barulho me dói a cabeça.”

Ainda fiquei um minuto sentado na cama antes de me levantar num pulo, como se de repente lembrasse que meu ato era profano. O ressentimento dava lugar à euforia e o recado indiferente para minha mãe pesava em minha cabeça.

“É João Carlos, avô, e todos nós só queremos seu bem.”

Ele já havia virado para o outro lado.

“Que seja, você é só mais um deles.”

Então dei as costas e saí, dessa vez mais menino do que homem, como nas memórias de minha infância.



quinta-feira, novembro 8


E me mostrava as estrelas, lembra de apontar pras estrelas?

- Olha aquela ali, bem ali, consegue ver?
- Consigo.
- ela brilha e brilha, mais e mais no meio da multidão de outras estrelas, é incrível.
- É...

A gente nunca olhava pra mesma.

quinta-feira, novembro 1

E assim foi...




-Nas histórias que ouvia novembro sempre trazia algo de mágico.

- Nas histórias que eu ouvia dezembro sempre trouxe presentes. Você não está confundindo as coisas?

Ele continuava fazendo as malas, ela olhava pela janela cada vez mais triste e não respondeu, e não esperava que ele repetisse a pergunta na sua pressa de ir embora dali.

-Não.

-Você viu onde coloquei aquela blusa azul? Não consigo achar em nenhum lugar.

-São todas iguais.

-Eu não consigo encontrá-la. Me ajuda?

Ajudo, pensou enquanto se colocava a remexer os cabides, a tirar tudo das gavetas entulhadas, ajudo, mas não quero que você vá. Fica por favor?

-Ouvi que em novembro o vento sopra mais forte, leva embora todos os males e agouros do ano, traz coisas novas...

-Onde a merda da blusa se enfiou? Será que ficou na lavanderia? Mas todo esse tempo? Há semanas eu não mando roupas pra lavar!

-Eu fico tentando imaginar as boas novas que novembro pode me trazer- disse procurando debaixo da cama.

-Talvez se você parasse de falar, novembro pudesse trazer minha blusa de volta.

-Engraçado como a gente só se lembra de algumas coisas quando vai embora.

-O quê?

-Nada.

-Repete o que você disse.

-Nada.

Saiu do quarto tentando encontrá-la em outros cômodos, outras gavetas, sempre achava algo inusitado na estante de livros, como cigarros sendo que nunca fumava, ou um par de brincos, sendo que nunca levava mulheres ao apartamento. Pérolas.

Ela ficou. Sentada no chão amarrando os cabelos revoltos, arranhando a cera do piso com os dedos, esperando que ele voltasse como sempre voltava, sentindo-se esquecida como sempre sentia. Riu para as paredes amarelas desgastadas pelo tempo, “como sentirei falta”, riu da procura inútil por uma blusa jogada fora há tanto tempo, vítima de um sorvete de chocolate e uma máquina de lavar quebrada, a sua máquina de lavar. Tentou não chorar ao se lembrar dos dois rindo dos farrapos que ela se tornara, das tentativas de encontrar algo seu que lhe coubesse, era como vestir um elefante com roupas de boneca, palavras dele.

Encontrou-a perdida em pensamentos que ele não conseguia decifrar, e esqueceu pela última vez, de lhe falar como ficava misteriosa daquele jeito, quase intocável. Gostaria de poder pintá-la um dia, pedia a Deus o dom pra isso, mas dela, só teria a imagem e todos os seus detalhes guardados com cuidado e carinho na memória.

-Nada, devo ter perdido.

-Perdeu.

-Não ficava muito bem em mim mesmo, ficava?

-Lindíssimo. – respondeu se levantando com um salto. Estava sempre bonito, mesmo quando mal vestido, mesmo quando não vestido. Até quando acordava era bonito, o diabo.

-Mesmo assim, gosto mais da branca. Ou da preta, a verde é bonita também.

-Ou todas as outras azuis.

-Azul não, me lembra algo que perdi. Quer comer alguma coisa?

-Sempre.

Saiu correndo do apartamento, ele fechando a porta logo atrás como se de repente o ar lá dentro tivesse sumido, como de fato tinha acontecido. Deixemos que isso só tenha ocorrido na imaginação dos dois.

Ela desceu as escadas levando as mãos aos bolsos, procurando inutilmente o cigarro que nunca mais levava desde que tinha esquecido o último maço na prateleira dele, como tinha esquecido tantas outras coisas na esperança de que ele usasse como desculpa a devolução para ir lhe ver.

Ele ficou olhando o vestido tão azul quanto sua blusa um dia fora, dançar ao redor dela, enquanto pulava as escadas com impaciência que lhe era peculiar, querendo não ir, que ficassem ali pra sempre, ela lhe sorrindo triste e ele observando sereno.

Meu Deus, como sentiriam saudade. E foram. O vento de novembro soprando forte fazendo que ela se firmasse nele, e os levando embora um do outro.